Trabalhando os sentimentos – Tristeza

Trabalhando os sentimentos – Tristeza

Dando continuidade ao nosso Projeto Institucional, no mês de setembro, trabalharemos com todas as crianças o sentimento – Tristeza

Entenda por que a tristeza também é importante para o desenvolvimento emocional do seu filho

Na vida real, a tristeza também é fundamental para compor esse quebra-cabeças. “O papel das emoções é ajudar a regular o nosso comportamento.

 Ninguém gosta de ver uma criança cabisbaixa. Quando é com o seu filho, então, dá até desespero! Mas o fato é que, em algumas situações, não há muito o que fazer. Os pequenos precisam vivenciar aquele momento e aprender, da maneira deles, a lidar com isso. A inquietação é tão grande que, na ânsia de tentar mandar embora aquele sentimento, muitos pais oferecem objetos em troca, como doces ou presentes.

Você não pode comprar a felicidade do seu filho. Ele precisa da sua presença, dos valores, do amor e não de coisas. Ao agir dessa maneira, os adultos acabam mascarando as emoções da criança. É como varrer a sujeira para baixo do tapete, mas isso pode trazer problemas ainda mais graves no futuro, já que não ensina a encarar os sentimentos de frente.

O processo emocional tem três passos:

1) Nós sentimos algo, mas ainda não sabemos identificar o que é.

2) Atribuímos um significado e um nome ao que estamos experimentando.

3) Vem o reflexo no comportamento. Ficamos mais quietos, com uma expressão triste, choramos.

É a partir disso que conseguimos avaliar, tentar encontrar uma solução, resolver, sair daquela situação que nos incomoda.

Os adultos devem prestar atenção à intensidade e à frequência em que os episódios de tristeza acontecem com seus filhos.

Em geral, a tristeza é desencadeada por um estímulo externo, mas dura pouco tempo e logo passa. Quando o comportamento é repetido e muda completamente a vida da criança, é necessário avaliar.

Há ainda aquelas situações em que seu filho pode apenas estar mais quieto e introspectivo porque está aprendendo a lidar consigo mesmo.

Pais devem aprender a não expor as crianças às brigas de casal, tudo isso faz parte da rotina de um casal, contudo, quando se tem filhos, essas situações podem ter consequências que vão além das duas pessoas diretamente envolvidas.

Deve se ter cuidado redobrado com “as brigas em silêncio”, aquelas em que quase não se fala nada, mas há afastamento e hostilidade entre os pais. Não se enganem: a criança sente esse clima e essa situação prolongada ou mal resolvida.

Junto a este comunicado, segue um artigo do Rubem Alves o qual, com maestria, fala um pouco o que é tristeza.

A Tristeza

Você, que diz que, se pudesse trocaria seu nome por “ Melancolia”, você me pergunta sobre as razões da tristeza. Me pergunta mais: sobre as razões que há pessoas que se emocionam com coisas pequenas – as outras nem ligam e até se riem da sua sensibilidade – o que lhe dá uma tristeza ainda maior, a tristeza da solidão.

Olhe, há tristezas de dois tipos. Primeiro, são as tristezas diurnas, quando o mundo está iluminado pelo sol. Tristezas para as quais há razões. Fico triste porque o meu cãozinho morreu, porque o meu filho está doente, porque as crianças esfarrapadas e magras me pedem uma moedinha no semáforo, porque o amor se desfez. Para essas tristezas há razões. Quem não sente essas tristezas está doente e precisa de terapia para aprender a ficar triste. Tristeza é parte da vida. Ela é a razão natural da alma diante da perda de algo que se ama. O mundo está luminoso e claro – mas há algo, uma perda, que faz tudo ficar triste.

Segundo, há tristezas de crepúsculo. O crepúsculo é triste, naturalmente. Não, não há perda nenhuma. Tudo está certo. Não há razões para ficar triste. A despeito disso, no crepúsculo a gente fica. Talvez porque o crepúsculo seja uma metáfora do que é a vida: a beleza efêmera das coisas que vão mergulhando no escuro da noite.

A alma é um cenário. Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca, inundada de alegria. Por vezes ela é como um pôr de sol, triste e nostálgico. A vida é assim. Mas, se é manhã brilhante o tempo todo, alguma coisa está errada. Tristeza é preciso. A tristeza torna as pessoas mais ternas. Se é crepúsculo o tempo todo, alguma coisa não está bem. Alegria é preciso. Alegria é a chama que dá vontade de viver.

Eu acho que essa tristeza crepuscular é mais que uma perturbação psicológica. Acho que ela tem a ver com a sensibilidade frente à dimensão trágica da vida. A vida é trágica porque tudo o que a gente ama vai mergulhando no rio do tempo.

“Tudo flui; nada permanece” (Heráclito). A vida é feita de perdas. Fiquei comovido, dias atrás, vendo fotos dos meus filhos quando eles eram meninos. Aquele tempo passou. Aquela alegria mergulhou no rio do tempo. Não volta mais. Há, assim, um trágico que não está ligado a “eventos trágicos”. Está ligado à realidade da própria vida. Tudo o que amamos, tudo que é belo, passa.

Mas é precisamente desse sentimento que surge uma coisa que maravilhosa, motivo de riqueza espiritual: a arte. Os artistas são feiticeiros que tentam paralisar o crepúsculo. Eternizar o efêmero. Todas as vezes que ouço aquela música ou leio aquele poema, o passado ressuscita. A beleza da arte nasce da tristeza. Se não houvesse tristeza, não haveria arte. Diz Jobim: “Assim como o poeta só é grande se sofrer…” Certo. Sem tristeza não haveria Cecília, Adélia, Pessoa, Chico, Beethoven, Chopin. A obra de arte ou é para exprimir ou para curar o sofrimento.

Mas há um limite. É preciso que a tristeza seja temporada com alegria. Tristeza, só, é muito perigoso. As pessoas começam a desejar morrer. Essa é a razão por que deprimidos querem dormir o tempo todo. Dormir é uma morte reversível.

Quando a gente está com dor de cabeça, toma aspirina sem vergonha alguma. Quando a gente está com dor de alma, tristeza, algum remédio é preciso – para não querer morrer, para voltar a ter alegria.

Uma ajuda para a tristeza é conversar. Para isso é preciso ter alguém que escute, que entenda a tristeza. Muitas pessoas procuram terapia para isso: não porque sejam doentes mentais, mas porque precisam compartilhar sua tristeza com alguém conheça a luz crepuscular.


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